|
|
|
O TEATRO BRASILEIRO DE
1918/38: Revisteiros
|
|
|
|
|
|
|
Revisteiros
|
|
|
|
Importado
de Paris, via Lisboa, o "teatro popular ligeiro", ou de variedades,
gênero que se consagrou como Revista, surgiu no Rio de Janeiro em
meados do século 19. Porém, o primeiro exemplar -- As
surpresas do sr. José da Piedade, de Figueiredo Novais --,
apresentado no Gináasio em 1859, não foi bem recebido pela platéia e a
polícia o retirou de cartaz no terceiro dia
|

|
Comidas,
meu santo,
1924, figurinos extravagantes, muita música, muita graça do afinadíssimo
elenco do Teatro São José, tornaram a revista um dos grandes
sucessos da época.
|
Tal
fracasso assustou os empresários, que não mais queriam saber do gênero.
Só em 1875, outra revista foi encenada: a Revista
do Ano de 1874, de Joaquim Serra. A montagem realizada por Antônio
de Souza Martins, contava com grandes nomes do teatro da época, mas
também não teve sucesso. Outra tentativa, três anos depois, marcou o
lançamento do autor que iria tornar popular e vitoriosa a revista:
Artur Azevedo. A estréia, com O
Rio de Janeiro em 1877, foi pela metade, já que dividia a autoria
com o português Lino de Assumpção. Teve apenas relativo sucesso.
Viajando
à Europa, Artur Azevedo viu revistas em Paris, Madrid e Lisboa. De
volta, convidou Moreira Sampaio a escrever com ele O
Mandarim, nos moldes da revista que se fazia na Europa. Foi um
sucesso extraordinário e deu início à saga revisteira que marcaria a
experiência cênica brasileira pelas décadas seguintes. Sem dúvida,
Artur Azevedo e Moreira Sampaio foram os maiores, mas outros revisteiros
se destacariam ao longo do caminho: Luiz Peixoto, Carlos Bettencourt,
Valentim Magalhães, Sousa Bastos, João do Rio, Raul Pederneiras,
Filinto de Almeida, os Irmãos Quintiliano, Bastos Tigre, e dezenas de
outros autores, alguns com passagens rápidas pela revista, como Álvaro
Moreyra ou Joracy Camargo.
|

|
O
luxo dos figurinos, cenários e elementos cênicos, a beleza das girls,
todo o esplendor nas revistas de Walter Pinto. Nem Te ligo, foi
apresentada no Recreio em 1946. (Foto:
do livro O Teatro de Revista no Brasil - Dramaturgia e Convenções,
de Neyde Veneziano, Ed. UNICAMP/Pontes, 1991)
|
O
modelo importado da França era o das
"revistas de ano", que por
aqui floresceu e dominou o panorama até próximo à Primeira Guerra.
Tinha um fio de enredo, muita música e estrutura aberta, onde se
inseriam quadros humorísticos, referindo-se a fatos e personalidades
que ganharam destaque no ano anterior.
O
forte da revista -- mesmo quando diversificou a temática, deixou de ser
revista do ano, até quando se tornou espetáculo luxuoso, com muitas
vedetes, coristas, plumas e paetés -- o forte foi sempre a caricatura
popular, que era logo identificada pela platéia, o humor malicioso e
ingênuo, o riso despertado por modos brejeiros de contar fatos do
cotidiano.
|
|

|
O
enredo amarrava-se à figura do compére
(compadre), que apresentava e comentava os quadros, cortinas e todos os
acontecimentos cênicos. Mais tarde, juntou-se a ele a commère (comadre).
Luz
del Fuego (1917-1963), com intuição ecológica e partidária
do nudismo, fez da revista uma das tribunas para a pregação de
suas idéias libertárias. (Foto:
do livro Luz del Fuego, de Aguinaldo Silva e Joaquim
Vaz de Carvalho, Ed. Codecri, 1982)
|
|
|