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TEMA DESTA EDIÇÃO:
Renato Vianna
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O
Guerreiro da Quimera
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Quem foi ele? Veja nos links abaixo a opinião de personalidades do
Teatro e das Letras sobre Renato Vianna, expressa através de
artigos da época e de dois depoimentos atuais
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Luiza Barreto Leite
- 2
O
Renato era o Ziembinski brasileiro... Era absorvente... E não era
absorvente impondo. Digo a você que sempre fui contestadora; mesmo
com o Ziembinski eu contestava muito. Mas Renato me deixava apalermada.
Olhava com olhos de cobra e me deixava dentro de mim mesma, querendo
responder para ele, sem conseguir. Tinha alguma coisa misteriosa, alguma
coisa de fanático, de extraterrestre, ou de predestinado. Ele dizia:
"O teatro é como um templo; você não pode sequer olhar para os
lados -- só pode fazer o seu papel e prestar atenção nos outros. Não
pode falar, nem se mexer". E o pessoal ficava olhando bestificado
para ele. E quando ele mandava, era imediatamente obedecido. Com isso,
formou grandes atores. Sem dúvida, Renato foi o precursor do Ziembinski;
com a diferença de que era brasileiro; então, ninguém acreditou nele.
(Depoimento a Sebastião Milaré, 19/7/1991)
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Maria Jacintha
Ele,
por exemplo, tinha que atravessar a cena; atravessava-a lentamente, em silêncio.
As pessoas achavam estranho. Mas, depois, o Ziembinski usava silêncios até
maiores. Me lembro um dia em que fui com o Mauro Mota ao Teatro Regina ver
uma peça com o Ziembinski. Ele tinha que apagar uma vela e levou não sei
quantas horas para atravessar o palco. Quando levava a mão para apagar a
vela, o Mota me agarrou pelo braço, me puxou para a porta, fomos escada
abaixo. Chegamos na rua, chovia, e o Mota gritava: "Viva Renato
Vianna! Viva Renato Vianna"!
(Depoimento a Sebastião Milaré, 21/6/1991)
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Gustavo A. Doria
Procurando
aplicar os seus conhecimentos teóricos, fundados no que de melhor possa
existir como conceito de teatro, Renato Vianna foi o propugnador de
diversas iniciativas, todas marcadas pelo seu espírito de vanguarda e sua
predestinação de pioneiro. [...] Os seus alunos, em sua maioria, têm
marcado neles o belo estigma dos atores conscientes do que fazem. Mas
todos sabem que essa consciência e essa orientação provém da direção
segura do diretor arguto e vivo que Renato Vianna é.
(O Globo, RJ, 16/2/1948)
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Teresa Rachel
A
verbalização era o que menos interessava a ele: queria a interiorização,
estimulava a busca do personagem pelo seu conteúdo emocional. Não era
para falar da boca pra fora, mas para buscar a verdade do personagem.
Fazia leituras com a gente, estudando o personagem, o sentido da peça. E
tinha uma maneira especial de dirigir. Às vezes ficava junto da gente, no
palco, e gritava... e assim ia nos conduzindo à verdade do
personagem.
(Depoimento a Sebastião Milaré, 8/1/1992)
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Otto Maria Carpeau
A
representação do "Inimigo do Povo" pela Escola Dramática da
Prefeitura teve, antes de tudo, o grande mérito de enriquecer o escasso
repertório clássico do teatro brasileiro. Não se imagina um repertório
sem Shakespeare e Ibsen; e deste último, não bastam as representações
sempre repetidas de "Os Espectros" e "Casa de
Bonecas". A iniciativa do sr. Renato Vianna foi, a esse respeito,
decisiva./ Quanto à execução, cabe salientar o desempenho do papel
principal pelo próprio sr. Renato Vianna: acentuando os traços
donquixotescos do personagem, salvou a tragédia do idealista derrotado do
perigo de se transformar em peça sentimental. O humorismo amargo da sátira
dramática evidenciou, porém, a permanente atualidade do assunto. / Pela
primeira vez, não se sabe há quantos anos, o palco brasileiro
transformou-se em tribunal moral, julgando-se o comportamento da sociedade
e dos indivíduos que a compõem. Eis, depois da iniciativa e da execução,
o terceiro mérito do sr. Renato Vianna e, sem dúvida, o maior.
(A Noite, RJ, 14/10/1952)
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