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Tema desta Edição

Renato Vianna
Biografia
Campanhas Artísticas
A Última Encarnação do Fausto
Obras

 

O Teatro
Brasileiro
1918/38

Grandes Figuras
Grupos
Revisteiros
Presença Portuguesa

 

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TEMA DESTA EDIÇÃO: Renato Vianna
 
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O Guerreiro da Quimera



Quem foi ele? Veja nos links abaixo a opinião de personalidades do Teatro e das Letras sobre Renato Vianna, expressa através de artigos da época e de dois depoimentos atuais

   



Luiza Barreto Leite - 2

O Renato era o Ziembinski brasileiro... Era absorvente... E não era absorvente impondo. Digo a você que sempre fui contestadora; mesmo com o Ziembinski eu contestava muito. Mas Renato me deixava apalermada. Olhava com olhos de cobra e me deixava dentro de mim mesma, querendo responder para ele, sem conseguir. Tinha alguma coisa misteriosa, alguma coisa de fanático, de extraterrestre, ou de predestinado. Ele dizia: "O teatro é como um templo; você não pode sequer olhar para os lados -- só pode fazer o seu papel e prestar atenção nos outros. Não pode falar, nem se mexer". E o pessoal ficava olhando bestificado para ele. E quando ele mandava, era imediatamente obedecido. Com isso, formou grandes atores. Sem dúvida, Renato foi o precursor do Ziembinski; com a diferença de que era brasileiro; então, ninguém acreditou nele.

(Depoimento a Sebastião Milaré, 19/7/1991)

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Maria Jacintha

Ele, por exemplo, tinha que atravessar a cena; atravessava-a lentamente, em silêncio. As pessoas achavam estranho. Mas, depois, o Ziembinski usava silêncios até maiores. Me lembro um dia em que fui com o Mauro Mota ao Teatro Regina ver uma peça com o Ziembinski. Ele tinha que apagar uma vela e levou não sei quantas horas para atravessar o palco. Quando levava a mão para apagar a vela, o Mota me agarrou pelo braço, me puxou para a porta, fomos escada abaixo. Chegamos na rua, chovia, e o Mota gritava: "Viva Renato Vianna! Viva Renato Vianna"!

(Depoimento a Sebastião Milaré, 21/6/1991)

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Gustavo A. Doria

Procurando aplicar os seus conhecimentos teóricos, fundados no que de melhor possa existir como conceito de teatro, Renato Vianna foi o propugnador de diversas iniciativas, todas marcadas pelo seu espírito de vanguarda e sua predestinação de pioneiro. [...] Os seus alunos, em sua maioria, têm marcado neles o belo estigma dos atores conscientes do que fazem. Mas todos sabem que essa consciência e essa orientação provém da direção segura do diretor arguto e vivo que Renato Vianna é.

(O Globo, RJ, 16/2/1948)

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Teresa Rachel

A verbalização era o que menos interessava a ele: queria a interiorização, estimulava a busca do personagem pelo seu conteúdo emocional. Não era para falar da boca pra fora, mas para buscar a verdade do personagem. Fazia leituras com a gente, estudando o personagem, o sentido da peça. E tinha uma maneira especial de dirigir. Às vezes ficava junto da gente, no palco, e gritava... e assim ia nos conduzindo à verdade do personagem. 

 

(Depoimento a Sebastião Milaré, 8/1/1992)

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Otto Maria Carpeau

A representação do "Inimigo do Povo" pela Escola Dramática da Prefeitura teve, antes de tudo, o grande mérito de enriquecer o escasso repertório clássico do teatro brasileiro. Não se imagina um repertório sem Shakespeare e Ibsen; e deste último, não bastam as representações sempre repetidas de "Os Espectros" e "Casa de Bonecas". A iniciativa do sr. Renato Vianna foi, a esse respeito, decisiva./ Quanto à execução, cabe salientar o desempenho do papel principal pelo próprio sr. Renato Vianna: acentuando os traços donquixotescos do personagem, salvou a tragédia do idealista derrotado do perigo de se transformar em peça sentimental. O humorismo amargo da sátira dramática evidenciou, porém, a permanente atualidade do assunto. / Pela primeira vez, não se sabe há quantos anos, o palco brasileiro transformou-se em tribunal moral, julgando-se o comportamento da sociedade e dos indivíduos que a compõem. Eis, depois da iniciativa e da execução, o terceiro mérito do sr. Renato Vianna e, sem dúvida, o maior.

(A Noite, RJ, 14/10/1952)

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