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TEMA DESTA EDIÇÃO:
Renato Vianna
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O
Guerreiro da Quimera
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Quem foi ele? Veja nos links abaixo a opinião de personalidades do
Teatro e das Letras sobre Renato Vianna, expressa através de
artigos da época e de dois depoimentos atuais
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Paschoal
Carlos Magno
Quem, neste país
onde só agora o teatro encontra eco, teve a audácia, a esplêndida
coragem de introduzir na nossa cena silêncios, valorizando-os com gestos?
Quem procurou inicialmente sublinhando o drama de situações e palavras,
usar de recursos luminosos e sonoros? [...] Quem, quando não se falava
entre nós no subconsciente e no inconsciente expostos em cena, já deles
se preocupava, às vezes tropegamente, mas corajosamente, fazendo-se ao
mesmo tempo manipulador do abstrato e do real? [...] Quem, como diretor,
apontou diretrizes, abriu picadas, iluminou consciências? [...] Quem, em
todas as suas iniciativas informava aos seus comandados que uma peça não
deve ser ensaiada sem que cada um de seus intérpretes a conheça
perfeitamente bem, exigindo-lhe a leitura em grupo, dissecando-a antes,
descobrindo-lhe as razões intrínsecas e de superfície? [...] Esse
alguém a que tanto se deve é o sr. Renato Vianna.
(Correio da Manhã, RJ, 12/2/1948)
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Raul Pedrosa
Ensaiava-se
uma cena do segundo ato [de Canto Sem Palavras], entre Suzana Negri
e Jayme Costa. É uma das mais belas cenas da peça, aquela em que a criança
se faz mulher para defender seu primeiro amor... [...] Nas mãos de Renato
Vianna a personalidade tão delicada da criança-mulher, criada pela
sensibilidade de Roberto Gomes, tomava forma, vivia e se adaptava aos
gestos, à voz, à fisionomia de Suzana Negri. [...] E era curioso ver
como a inteligência do ensaiador caminhava sob a estrutura verbal e a
aparente significação do texto, como sob as abóbodas de um subterrâneo,
perscrutando, na penumbra do pensamento, as intenções do autor e, mesmo,
aquelas que o subconsciente do escritor lá deixara ficar ocultas, e que o
ensaiador tinha o dever de fazer ressaltar. Assim caminhava Renato como o
mineiro nos meandros da mina. E, de repente, no redemoinho de uma frase,
onde correntes estranhas se entrechocam, a imagem que se impunha era
outra: a de um ágil mergulhador, rompendo, sem esforço, o oceano para
ir, bem fundo, buscar sob a aparência de uma palavra rude pérola
maravilhosa do sentimento que ali se ocultava. [...] E o ambiente era de
absoluta concentração. [...] Os gestos, as atitudes dos atores surgem
naturalmente do próprio texto que pronunciam.
(Jornal do Brasil,
RJ, 19/12/1934)
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Valdemar de Oliveira
A
platéia, fria a princípio, se deixou arrebatar, depois, pela segurança
da técnica teatral e equilíbrio do desempenho, que esteve à altura da
dignidade da arte teatral. Eis o que de fato transpira de um espetáculo
-- qualquer que seja -- dessa Companhia: dignidade estética, honestidade
artística, escrúpulo e consciência, nos seus máximos limites, do que
seja, na realidade, a arte teatral. Marcações -- a de ontem é uma
maravilha no gênero --, montagem, desempenho, tudo afina pela mesma
cravelha: integração absoluta na obra de arte, respeito ao autor e
respeito ao público. Nada ali cheira à estandardização que monotoniza
certos espetáculos pretensamente teatrais. Há sempre um ar de novidade,
uma atmosfera de rigorismo interpretativo, um clima estético, nos
desempenhos que Renato Vianna nos oferece. Qualquer coisa que obriga o público
a tomar a sério a representação e a sintonizar, unanimemente, com a
grande alma que tudo aquilo dirige e inspira. A Companhia é um milagre de
homogeneidade.
(Jornal do Comércio, Recife,
14/10/1938)
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Folha Carioca
Houve
um tempo que Renato Vianna pairava só no seu apostolado. Todas as idéias
boas e altas a favor de um teatro digno da nossa civilização
concentravam-se nele. Tanto gritou, escreveu, pregou que sua voz por fim
encontrou eco: os cruzados multiplicaram-se. E aquele sopro renovador, que
saía dos seus lábios, é o que anima milhares de seus compatriotas, pelo
Brasil afora, lutando por um teatro que funcione como arte e educação.
Folha Carioca, RJ, 1/11/1947
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Luiza Barreto Leite
- 1
Lembro-me
do ator e diretor Renato Vianna, de 35 para cá, justamente na fase em que
ele foi mais combatido, quando realizava no velho Cassino o seu
Teatro-Escola. Criticavam-lhe os seus longos silêncios, as suas grandes
cenas em que a mímica substituía a palavra; os seus jogos de luz,
escurecendo parte do palco para valorizar "terrivelmente"
outras; [...] enfim, era-lhe apontada uma série de defeitos "imperdoáveis".
Mas a sua obra continuava e seus discípulos o adoravam. [...] Veio, então,
para o Rio, um polonês, também cheio de vida e de personalidade, amigo
de longas pausas, da representação plena de mímica e mestre nos efeitos
de luz. Foi chamado de genial e realmente o é, em certas coisas, apesar
de seu "svengalismo", bem mais agudo do que aquele que em
determinada época foi atribuído ao sr. Renato Vianna. Os tempos mudam e
os pioneiros nunca foram compreendidos.
(Correio da Manhã, RJ, 31/10/1948)
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