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Tema desta Edição

Renato Vianna
Biografia
Campanhas Artísticas
A Última Encarnação do Fausto
Obras

 

O Teatro
Brasileiro
1918/38

Grandes Figuras
Grupos
Revisteiros
Presença Portuguesa

 

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TEMA DESTA EDIÇÃO: Renato Vianna
 

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O Guerreiro da Quimera



Quem foi ele? Veja nos links abaixo a opinião de personalidades do Teatro e das Letras sobre Renato Vianna, expressa através de artigos da época e de dois depoimentos atuais

   


Paschoal Carlos Magno

Quem, neste país onde só agora o teatro encontra eco, teve a audácia, a esplêndida coragem de introduzir na nossa cena silêncios, valorizando-os com gestos? Quem procurou inicialmente sublinhando o drama de situações e palavras, usar de recursos luminosos e sonoros? [...] Quem, quando não se falava entre nós no subconsciente e no inconsciente expostos em cena, já deles se preocupava, às vezes tropegamente, mas corajosamente, fazendo-se ao mesmo tempo manipulador do abstrato e do real? [...] Quem, como diretor, apontou diretrizes, abriu picadas, iluminou consciências? [...] Quem, em todas as suas iniciativas informava aos seus comandados que uma peça não deve ser ensaiada sem que cada um de seus intérpretes a conheça perfeitamente bem, exigindo-lhe a leitura em grupo, dissecando-a antes, descobrindo-lhe as razões intrínsecas e de superfície? [...] Esse alguém a que tanto se deve é o sr. Renato Vianna.

(Correio da Manhã, RJ, 12/2/1948)

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Raul Pedrosa

Ensaiava-se uma cena do segundo ato [de Canto Sem Palavras], entre Suzana Negri e Jayme Costa. É uma das mais belas cenas da peça, aquela em que a criança se faz mulher para defender seu primeiro amor... [...] Nas mãos de Renato Vianna a personalidade tão delicada da criança-mulher, criada pela sensibilidade de Roberto Gomes, tomava forma, vivia e se adaptava aos gestos, à voz, à fisionomia de Suzana Negri. [...] E era curioso ver como a inteligência do ensaiador caminhava sob a estrutura verbal e a aparente significação do texto, como sob as abóbodas de um subterrâneo, perscrutando, na penumbra do pensamento, as intenções do autor e, mesmo, aquelas que o subconsciente do escritor lá deixara ficar ocultas, e que o ensaiador tinha o dever de fazer ressaltar. Assim caminhava Renato como o mineiro nos meandros da mina. E, de repente, no redemoinho de uma frase, onde correntes estranhas se entrechocam, a imagem que se impunha era outra: a de um ágil mergulhador, rompendo, sem esforço, o oceano para ir, bem fundo, buscar sob a aparência de uma palavra rude pérola maravilhosa do sentimento que ali se ocultava. [...] E o ambiente era de absoluta concentração. [...] Os gestos, as atitudes dos atores surgem naturalmente do próprio texto que pronunciam.

(Jornal do Brasil, RJ, 19/12/1934)

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Valdemar de Oliveira

A platéia, fria a princípio, se deixou arrebatar, depois, pela segurança da técnica teatral e equilíbrio do desempenho, que esteve à altura da dignidade da arte teatral. Eis o que de fato transpira de um espetáculo -- qualquer que seja -- dessa Companhia: dignidade estética, honestidade artística, escrúpulo e consciência, nos seus máximos limites, do que seja, na realidade, a arte teatral. Marcações -- a de ontem é uma maravilha no gênero --, montagem, desempenho, tudo afina pela mesma cravelha: integração absoluta na obra de arte, respeito ao autor e respeito ao público. Nada ali cheira à estandardização que monotoniza certos espetáculos pretensamente teatrais. Há sempre um ar de novidade, uma atmosfera de rigorismo interpretativo, um clima estético, nos desempenhos que Renato Vianna nos oferece. Qualquer coisa que obriga o público a tomar a sério a representação e a sintonizar, unanimemente, com a grande alma que tudo aquilo dirige e inspira. A Companhia é um milagre de homogeneidade.

(Jornal do Comércio, Recife, 14/10/1938)

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Folha Carioca

Houve um tempo que Renato Vianna pairava só no seu apostolado. Todas as idéias boas e altas a favor de um teatro digno da nossa civilização concentravam-se nele. Tanto gritou, escreveu, pregou que sua voz por fim encontrou eco: os cruzados multiplicaram-se. E aquele sopro renovador, que saía dos seus lábios, é o que anima milhares de seus compatriotas, pelo Brasil afora, lutando por um teatro que funcione como arte e educação.

 

Folha Carioca, RJ, 1/11/1947

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Luiza Barreto Leite - 1

Lembro-me do ator e diretor Renato Vianna, de 35 para cá, justamente na fase em que ele foi mais combatido, quando realizava no velho Cassino o seu Teatro-Escola. Criticavam-lhe os seus longos silêncios, as suas grandes cenas em que a mímica substituía a palavra; os seus jogos de luz, escurecendo parte do palco para valorizar "terrivelmente" outras; [...] enfim, era-lhe apontada uma série de defeitos "imperdoáveis". Mas a sua obra continuava e seus discípulos o adoravam. [...] Veio, então, para o Rio, um polonês, também cheio de vida e de personalidade, amigo de longas pausas, da representação plena de mímica e mestre nos efeitos de luz. Foi chamado de genial e realmente o é, em certas coisas, apesar de seu "svengalismo", bem mais agudo do que aquele que em determinada época foi atribuído ao sr. Renato Vianna. Os tempos mudam e os pioneiros nunca foram compreendidos.

(Correio da Manhã, RJ, 31/10/1948)

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