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Teatro
Brasileiro 1918/38: Grupos
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Grupos
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GRUPO GENTE NOSSA
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Fundado
por Samuel Campelo e Elpídio Câmara, o Grupo Gente Nossa estreou a
2 de agosto de 1931 no Teatro Santa Isabel (Recife). Constituía-se
de amadores e alguns atores mambembes que se reuniram numa associação.
Cada ator/sócio pagava uma mensalidade com a qual o Grupo conseguia
realizar suas montagens. Ocupava tanto o palco do Santa Isabel, como
salas humildes de clubes do subúrbio, pequenos teatros de cidades
do interior e, algumas vezes, viajava para cidades fora do Estado de
Pernambuco.
No
livro O Teatro Moderno em
Pernambuco Joel Pontes relaciona uma série de grupos fundados a
seguir pelos estados nordestinos com o termo "gente" no
nome, como Grupo da Gente, em Quipapá, ou Grupo da Gente Presa, na
Casa de Detenção do Recife. Esse é um índice da influência do
Gente Nossa na região. Mais importante, no entanto, foi o estímulo
do Grupo a que se escrevessem peças teatrais. Elas surgiam e,
independentemente da qualidade, eram montadas. Isso estabeleceu um hábito
que, com o tempo, daria excelentes frutos. E também, o sentido da
disciplina necessária em uma equipe era proclamado sempre por
Samuel Campelo.
O
Grupo Gente Nossa formou as bases sobre as quais se levantou o
moderno teatro nordestino. Foi nele que iniciou suas atividades no
palco Valdemar de Oliveira, que assumiu a direção do Grupo depois
da morte de Samuel Campelo e que, mais tarde, criaria o Teatro de
Amadores de Pernambuco. Foi nele também que iniciou-se no teatro
(na função de ponto) Hermilo Borba Filho, que depois fundaria com
Ariano Suassuna o Teatro do Estudante de Pernambuco.
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TEATRO DA EXPERIÊNCIA
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No
requerimento ao Chefe de Polícia solicitando autorização para a
montagem de O Bailado do Deus
Morto, Flávio de Carvalho assim colocava as finalidades do
Teatro da Experiência:
"A
diretriz ideológica que levou ao aparecimento do Teatro da Experiência
é apenas esta: criar um centro de pesquisas em pequena escala para
a observação de fenômenos em cenários, em efeitos luminosos, em
novas formas de dicção, e de um modo geral um centro de pesquisas
capaz de introduzir no mundo um novo teatro. O espírito que dirige
e anima o Teatro da Experiência é o espírito imparcial de
qualquer laboratório científico: pesquisar no desconhecido para
promover o progresso. E, mesmo como acontece nos laboratórios científicos,
acontecerá também conosco: certamente presenciaremos ao fracasso
de muitas experiências. Mas acreditamos que estes possíveis
fracassos serão a força motriz que nos levará a novas experiências,
abrindo caminho para um novo rumo".
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O Bailado do Deus Morto
- Teatro da Experiência
(1933).
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Instalado em
salão do Clube dos Artistas Modernos, na Rua Pedro Lessa (São
Paulo), o Teatro da Experiência estreou a 5 de dezembro de 1933 com
a montagem de O Bailado do
Deus Morto, de Flávio de Carvalho. Antes, abrigou um espetáculo
de dança e música étnica e uma leitura dramática de O
Homem e o Cavalo, que Oswald de Andrade escrevera especialmente
para o TE. Mas, no dia 8 de dezembro deu seu último espetáculo: a
polícia interditou o prédio e fez plantão frente a ele por mais
de um mês, não permitindo a entrada de ninguém.
Constituiu,
sem dúvida, a mais audaciosa e radical experiência realizada no
teatro brasileiro na década de 30. Entre outros méritos, o
empreendimento de Flávio de Carvalho teve o de estimular a que
Oswald de Andrade voltasse à dramaturgia. No mesmo ano, além de O Homem e o Cavalo, escreveu sua obra-prima O Rei da Vela.
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TEATRO DO ESTUDANTE DO BRASIL
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Tendo
voltado da sua primeira função diplomática no Exterior, Pachoal
Carlos Magno decidiu formar um grupo teatral na Casa do Estudante do
Brasil, instituição que ajudara Ana Amélia Carneiro de Mendonça
a criar anos antes. Mais tarde, referindo-se ao grupo, Paschoal
esclarecia: "Faço questão de ressaltar que nunca pretendi que
o movimento se chamasse teatro universitário, porque teatro não pertence a uma classe.
[...] Teatro do Estudante era para mim alguma coisa que abrangia
estudantes de escolas superiores, secundárias, técnicas, normais e
aceitava qualquer pessoa que quisesse fazer teatro e fosse menor de
trinta anos. Eram todos estudantes... de teatro".
O
que interessava a Paschoal Carlos Magno era formar um grupo onde se
aplicassem os procedimentos modernos do teatro. Juntava-se a Renato
Vianna (com quem iniciara no teatro) na preocupação do teatro de
equipe, na criação em que o ator tivesse a noção de conjunto,
contando com um diretor para dar unidade à obra.
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Romeu
e Julieta,
pelo Teatro do Estudante (1938). Em cena: Paulo Porto e Sônia
Oiticica.
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Convidou
Itália Fausta para dirigir o primeiro espetáculo: Romeu
e Julieta, de Shakespeare.
A
28 de outubro de 1938 o Teatro do Estudante estreava no Teatro
João Caetano (Rio de Janeiro) e dava início à grande virada
modernizadora do teatro brasileiro.
O
extraordinário sucesso da primeira montagem do grupo levou-o
a montar mais duas obras clássicas: Leonor
de Mendonça, de Gonçalves Dias, e Romanescos,
de Edmond Rostand, ambas dirigidas por Esther Leão.
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Afastando-se do Brasil por novo cargo diplomático, Paschoal confiou
a direção artística do conjunto a Maria Jacintha que, mantendo
Esther Leão como diretora dos espetáculos, deu nova orientação
ao repertório, abarcando agora a dramaturgia moderna.
O
Teatro do Estudante do Brasil estimulou o aparecimento de muitos
outros conjuntos, estudantis ou não, que dariam força ao movimento
renovador nos anos 40.
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