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Tema desta Edição

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O Teatro
Brasileiro
1918/38

Grandes Figuras
Grupos
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Teatro Brasileiro 1918/38: Grupos
 

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Grupos

   


COMPANHIA ABIGAIL MAIA

A companhia foi organizada por Oduvaldo Vianna, Viriato Correia e o empresário Nicola Viggiani, em 1921. Tinha Abigail Maia (então mulher de Oduvaldo) como principal figura do elenco. Ocupou o Trianon.

O conjunto refletia o clima anti-lusitano da época, às vésperas do Centenário da Independência, contra as amarras da cultura (e sobretudo do teatro) aos ditames de Lisboa. Além de só contratar atores brasileiros natos, ou que tivessem iniciado a carreira no Brasil, e só encenar autores brasileiros, propunha o uso da prosódia brasileira contra o sotaque lusitano que era tido (e o permaneceria sendo por quase duas décadas mais) uma espécie de "língua oficial do teatro".

Assim se refere à iniciativa o crítico Mário Nunes no seu livro 40 Anos de Teatro:

"Pediram o apoio da SBAT, pois seu intuito era impulsionar o teatro nacional. Organizaram elenco brasileiro, quase todos os artistas filhos do nosso país; feitos entre nós os que aqui não nasceram. Preferem peças nacionais que estudem nossos costumes, a sociedade e tipos, quer das cidades quer do interior do país, tudo dentro da mais rigorosa decência. Pensam também no ressurgimento do teatro de dantes. Aceitam integralmente a tabela dos direitos autorais da SBAT. Procuraram o apoio e a assistência de Coelho Neto e da Escola Dramática. Extremaram-se na publicidade, inteligentemente dirigida, à moderna".


Onde Canta o Sabiá, no Trianon.


A inauguração da temporada, com a peça Nossos Papás, de Ribeiro Couto, despertou enorme curiosidade e encheu a sala do Trianon nos dois primeiros dias. Depois, o público se retraiu. Parecia que a empresa iria fracassar. Mas a segunda  estréia, Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro, reverteu o quadro. O sucesso foi imenso e se repetiria em outras peças do repertório, como Jurity, de Viriato Correia, Manhãs de Sol, de Oduvaldo Vianna, Ministro do Supremo, de Armando Gonzaga. O empreendimento tornou-se um emblema da nacionalização teatral e passou a ser conhecido como "movimento Trianon".

Nos anos seguintes, a companhia prosseguiu com Oduvaldo Vianna como diretor artístico. Em 1924 fez excursão pela região do Prata, chegando a Buenos Aires. Pela primeira vez uma companhia brasileira de comédia ia além das fronteiras.

No final dos anos 20, tentando dar ao teatro a agilidade do cinema, Oduvaldo Vianna aboliu os intervalos entre os atos. Depois, introduziu a moda do "teatro por sessões", fazendo duas ou três sessões do espetáculo no mesmo dia.

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COMPANHIA JAYME COSTA

Em 1924, Jayme Costa formou sua primeira companhia e com ela excursionou pelos estados. Ano seguinte estreou no Rio de Janeiro com repertório em que constava a peça de Pirandello Cosi é, se vi pare, em tradução de Abadie Faria Rosa, com o título de Pois é. Isso denota a preocupação do ator em escolher textos de qualidade literária, embora quase todo o repertório da companhia se constituísse de comédias, ao gosto do público. Esse aspecto é mais acentuado na trajetória do grande ator, enquanto empresário, do que seu propósito modernizador da cena. Mas, cedendo ao gosto do público, não deixava de experimentar novos modos de interpretação e de organização da empresa. 


Renato Vianna e o elenco de Divino Perfume, na Cia. Jayme Costa
(da esq. p/dir.: Renato Vianna, Eugênia Brazão, Iracema de Alencar,
Ítala ferreira, Gabriel de Macedo,
Átila de Morais).


Nos primeiros anos da década de 30, teve como diretor artístico Paschoal Carlos Magno. Em 1931, quando montou Divino Perfume, de Renato Vianna, constituiu dois elencos que se alternavam na representação da mesma peça. Um era ensaiado por ele, outro por Renato Vianna. Tentava, desse modo, estabelecer na companhia a idéia de teatro de equipe.

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TEATRO DE BRINQUEDO

Na revista Para Todos, Álvaro Moreyra assim colocava a proposta do Teatro de Brinquedo: "Eu sempre cismei um teatro que fizesse sorrir, mas que fizesse pensar. Um teatro com reticências... Um teatro que se chamasse Teatro de Brinquedo e tivesse como única literatura uma epígrafe do velho Goethe: Humanidade divide-se em duas espécies, a dos bonecos que representam um papel aprendido e a dos naturais, espécie menos numerosa de entes que nascem, vivem e movem-se segundo Deus os criou... Um teatro de ambiente simples, até ingênuo, bem moderno, para poucas pessoas a cada noite... [...] Sempre cismei uma companhia de artistas amorosos da profissão que não a tornassem profissão... Representaríamos os nossos autores novos e os que nascessem por influência nossa. Daríamos a conhecer o repertório de vanguarda do mundo todo. Os espetáculos de uma peça seriam um gênero. Seria outro gênero a apresentação de programas com pantomimas musicadas, de lendas brasileiras, canções estilizadas, comédias rápidas, motivos humorísticos..."

O teatro foi instalado no sub-solo de um dos blocos do Casino Beira Mar, junto do Passeio Público (Rio de Janeiro). A adaptação da sala coube a Lúcio Costa e a decoração a Di Cavalcanti. O elenco era formado por pessoas da sociedade junto a alguns artistas de teatro, vários deles procedentes da revista - como Luiz Peixoto, Marques Porto, Joracy Camargo.

A estréia deu-se a 10 de novembro de 1927 com a comédia de Álvaro Moreyra Adão, Eva e Outros Membros da Família, que imediatamente se converteu em sucesso.

Agradou, em princípio, o espetáculo feito à base da inspiração de cada ator, sem método nem direção, onde cada um fazia como bem entendesse. Mas essa ausência de método e de sistema, não permitiria avanços. Álvaro e sua mulher, Eugênia, logo perceberiam que é importante aprender o papel. Apresentou, depois, o Espetáculo do Arco da Velha, composto por esquetes e poemas. Eugênia tentou assumir a direção, mas faltavam-lhe conhecimentos do ofício e havia indisciplina no grupo.

De qualquer modo, o Teatro de Brinquedo tem importância histórica como um gesto rebelde contra a velha escola e uma tentativa de encontrar novos caminhos. Um gesto que seria um tanto mitificado, mas permaneceria como exemplo de transgressão e busca a inspirar jovens artistas.

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COMPANHIA DULCINA-ODILON

Em 1932, no Teatro Avenida, em São Paulo, estreou a Companhia Dulcina de Moraes-Manuel Durães. Dois anos depois, tornou-se Companhia Dulcina-Oduvaldo-Odilon, marcando a sociedade do casal Dulcina e Odilon com Oduvaldo Vianna. Ano seguinte voltou a ser Companhia Dulcina-Odilon e com esse nome prosseguiria até os anos 60.


Dulcina e Odilon em Amor, de Oduvaldo Vianna (1934).


Percebe-se pelas associações de Dulcina com Renato Vianna e com Oduvaldo Vianna, sua tendência à renovação dos processos artísticos. Buscava também elevar o nível do repertório. Já em 1934 encenava obra de Bernard Shaw (A Bela e a Fera / Captain Brassbound´s Conversion) e, na seqüência, mesclava obras de bons comediógrafos brasileiros, como Oduvaldo Vianna e Gastão Tojeiro, a Noel Coward, Marcel Achard e outros autores europeus. Pela metade da década de 40, estimulou no meio profissional a renovação que surgia no meio amador com as Temporadas de Arte organizadas por Maria Jacintha. Foi a Companhia Dulcina-Odilon que estabeleceu a segunda-feira como dia de descanso para os atores (até então, todas as companhias funcionavam de segunda a domingo) e é bem provável que tenha sido a primeira, também, a tirar o "ponto", obrigando os atores a terem seus papéis estudados e decorados.



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