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| EDITORIAL
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Trilhas e
Veredas do Teatro Brasileiro
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O Teatro Brasileiro está
vivo. Em permanente crise, mas vivo. E a própria crise atesta sua vitalidade.
É grande o número de jovens, por todo o país, fazendo ou tentando
fazer teatro.
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Sebastião
Milaré.
(Foto: Soso Parma)
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Isso resulta numa produção anual que, embora ninguém tenha ainda contado,
dá soma bastante significativa.
E da quantidade surge a qualidade. Não raro nos
surpreendemos nos muitos festivais regionais ou nacionais com obra de arte realizada em
cidade distante do eixo Rio-São Paulo, onde até cerca de duas décadas se dava
praticamente toda a produção "séria" do país.
A produção do tradicional eixo continua alta. Porém, novos e
importantes pólos da produção teatral profissional despontam em outras capitais e até
em cidades de médio e grande porte do interior .
O que une a todos é a precariedade
dos meios de produção. A política cultural do governo, se de fato existe, não leva em
conta o teatro e se o leva em conta não traduz isso em termos de estímulos e apoios
concretos a tão grande e diversificada produção. Assim mesmo, continua-se a fazer
teatro. A duras penas e com minguadas compensações. Ou nenhuma.
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Renato Vianna em Mona Lisa (1939)
(Foto: Arquivo Renato Vianna)
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Portanto, o teatro brasileiro é um
fato reafirmado. Tem o lastro histórico que é a sua tradição. Bobagem, agora, negar
essa tradição como se fazia nos anos 50, quando da consolidação do nosso "teatro
moderno". E, no entanto, a transformação do teatro "antigo" em moderno
já estava presente na tradição. Disso nos dá testemunho a trajetória de Renato
Vianna, examinada nesta edição de antaprofana, que mexeu nas estruturas do velho teatro,
procurando renovar-lhe os códigos com vistas aos paradigmas modernos, aos avanços
representados por Stanislavski e Jacques Copeau, por exemplo.
Levou a idéia de um novo
teatro aos estados do Norte, Nordeste e Sul provocando salutar influência no plano
nacional.
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O olhar sobre vida e obra de Renato Vianna alcança todo o teatro
praticado na sua época. Deparamos com atores, atrizes, animadores culturais que lutaram
pela consolidação do teatro nacional, rompendo com a tradição luso-brasileira.
Deparamos com companhias e grupos, cujo trabalho incansável estabeleceu a tradição
cênica entre nós. Foram eles, no final das contas, que possibilitaram a criação dessa
arte praticada hoje no país inteiro seja por grupos amadores, estudantis ou
profissionais. Conhecer essas figuras e saber do trabalho dos grupos que ativaram o
panorama entre as duas guerras é uma forma de melhor entender a realidade artística do
nosso teatro atual.
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O site antaprofana tem
três
objetivos precípuos:
1- divulgar estudos
e pesquisas sobre o teatro brasileiro, como estímulo aos interessados em aprofundar o
conhecimento dessa manifestação artística que é, sem dúvida, uma das mais ricas
expressões da cultura brasileira;
2- abrir um espaço de discussão sobre a prática
teatral na atualidade, estimulando um diálogo de alto nível que possibilite a formação
de visões críticas consistentes e indispensáveis à evolução da arte.
3-
propiciar, na medida do possível, a comunicação dos artistas e
estudiosos do teatro brasileiro com artistas e estudiosos
latino-americanos e dos Países de Língua Oficial Portuguesa.
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Renato Vianna nas missões
dramáticas, 1938
(Foto: Arquivo Renato
Vianna)
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Navegando nas páginas desta
primeira edição de antaprofana você terá acesso a aspectos importantes da vida e obra de Renato
Vianna, assim como do ambiente teatral em que ele se moveu e lutou por alterar.
E poderá dar sua contribuição
entrando nos debates propostos no Espaço Aberto.
Aos que se interessarem, bem-vindos
a bordo. A todos, boa viagem.
Sebastião Milaré
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NOTA: A pesquisa sobre vida e obra
de Renato Vianna, realizada por Sebastião Milaré, foi patrocinada por
Bolsas Vitae de Artes.
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