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TEMA DESTA
EDIÇÃO: Renato Vianna/Campanhas Artísticas
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As
Muitas Estações de Um Gesto Pioneiro
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TEATRO-ESCOLA
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Durante dois
anos, Renato Vianna lutou pela criação do Teatro-Escola. O projeto foi
aprovado pelo Presidente Getúlio Vargas, que concedeu subvenção e o
tornou "experiência oficial". A proposta era formar uma
companhia-modelo à qual se vincularia um curso de teatro. Desse modo,
haveria elenco composto por atores profissionais experientes e outros
iniciantes, ao qual se juntariam alunos da Escola Dramática Municipal na
condição de estagiários, sendo posteriormente incorporados à
companhia.
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A Prefeitura do
Distrito Federal concedeu o Casino para a instalação do Teatro-Escola e
o governo federal, além das subvenções, garantiu franquias ao
transporte da companhia, incluindo cenários e material de cena, por todo
o território nacional. Propunha-se que após cada temporada no Rio de
Janeiro o Teatro-Escola viajasse de Norte a Sul, apresentando seus espetáculos
e eventos didáticos paralelos.
O lançamento do
projeto suscitou polêmicas no meio teatral e na imprensa em função das
rígidas normas disciplinares do estatuto. Polêmicas maiores, contudo,
ocorreriam após a estréia do Teatro-Escola, a 29 de outubro de 1934, ao
impacto da obra apresentada: Sexo.
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Renato Vianna e Itália
Fausta em "Sexo", 1934. Foto publicada em jornal não
identificado. (Arquivo
Renato Vianna) |
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A situação piorou
no início da segunda temporada com o processo aberto contra o
Teatro-Escola pelas principais figuras do elenco " Jayme Costa,
Itália Fausta e Olga Navarro " que teriam sido lesadas pelo diretor
na distribuição de supostos lucros da empresa. Auditorias abertas pelos
advogados dos atores e pelo Ministério da Educação e Saúde atestaram a
lisura do diretor e a ausência dos alegados lucros. Mas o processo foi
demorado e enquanto isso, diariamente, boatos difamatórios ocupavam
espaços nos jornais, constituindo uma perseguição como jamais aconteceu
a outro homem de teatro no país.
Assim,
liquidou-se mais essa iniciativa do Guerreiro da Quimera. Porém, suas
conquistas cênicas, seus avanços no conceito do "novo teatro",
haviam já impregnado alguns espíritos jovens que, por vários caminhos,
logo mais se dedicariam ao teatro e o impulsionariam aos novos horizontes
estéticos.
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TEATRO
ANCHIETA
Em 1941, o
Rotary Club gaúcho propôs ao governador do Estado a instituição de uma
escola de teatro - a Escola Dramática do Rio Grande do Sul -- em Porto
Alegre e que fossem confiadas a Renato Vianna sua criação e direção.
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Teatro Anchieta em missão
dramática, no último ano da sua existência. Mossoró, 1947.
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O sonho de um
Teatro-Escola retornava, porém com substanciais alterações no projeto.
Desta vez, Renato propunha fazer com que a companhia nascesse do curso,
integrada por alunos e com alguns profissionais convidados. O curso,
ministrado no Teatro São Pedro, tinha a duração de três anos, com
aulas teóricas e práticas. Os alunos adiantados comporiam o elenco
principal da companhia, os do segundo ano formariam elenco de apoio,
enquanto os do primeiro ano apenas se preparariam.
Ano seguinte,
com uma turma já preparada para o palco, Renato batalhou sede para que a
Escola ficasse independente do Teatro São Pedro. Alugou um armazém na
Avenida Brasil, no bairro operário de Navegantes, adaptou-o com salas de
aulas, de ensaio e de espetáculo. Assim nasceu o Teatro Anchieta.
As temporadas do
Teatro Anchieta foram memoráveis. Os jornais comentavam a enorme
transformação do bairro nessas ocasiões. Para lá convergiam pessoas de
todas as classes sociais e de todos os bairros da Capital gaúcha. Bondes
e ônibus despejavam multidões nas cercanias, que já estavam tomadas por
carros particulares. Todos queriam ver aqueles espetáculos maravilhosos.
Em um dia da semana a apresentação era destinada aos operários, sendo
os ingressos distribuídos gratuitamente nas fábricas. Após as
temporadas em Porto Alegre, a companhia visitava cidades do interior.
No início de
1946 o Teatro Anchieta apresentou no Rio de Janeiro repertório que incluía
obras de Dostoiévski (Crime e Castigo ), Florêncio Sánches,
Ibsen e Renato Vianna, sendo bastante elogiado. Paschoal Carlos Magno
classificou de "exemplar" a companhia. Porém, as alterações
políticas determinadas pela renúncia de Getúlio Vargas (1945), afetaram
duramente o teatro com o fim das subvenções. Assim mesmo, Renato
conseguiu manter a Escola Dramática do Rio Grande do Sul e o Teatro
Anchieta até 1948. O conjunto se desfez depois de uma longa excursão
pelo país.
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MISSÕES
DRAMÁTICAS
Com o fim do
Teatro-Escola Renato não desistiu do sonho de levar o bom teatro em
peregrinações pelo país, como era proposta da empresa. Para tanto,
trabalhou cerca de ano e meio, conseguindo formar uma companhia de
primeira linha, na qual ganhou destaque sua filha Maria Caetana, então
com 14 anos e que logo mais seria considerada uma das nossas principais
atrizes. Sendo o repertório composto de peças anteriormente montadas,
dispunha de um acervo cenográfico assinado pelos melhores daquele tempo:
Hipólito Colomb, Oswaldo Teixeira, Ângelo Lazary, Oswaldo Sampaio,
Gilberto Trompowsky. Pela importância da sonoplastia e da música em suas
encenações, adquiriu o mais avançado equipamento de "sincronização
e sonorização" existente. Pensou em todos os detalhes de modo a
poder realizar nas diferentes praças espetáculos de alto nível técnico
e artístico. O material de cena e equipamentos reunidos para a excursão
somavam mais de 18 toneladas e estavam estimados em 300 contos.
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Dona Elita, Maria
Caetana, homem não identificado e Renato Vianna a bordo o Itapé,
rumo a Belém, em missão dramática, 1940. |
A primeira
"missão dramática" deu-se de março a novembro de 1938,
realizando nas capitais de sete estados do Norte e Nordeste 250 apresentações.
Boa parte desse período, a companhia apresentou-se no Teatro Santa
Isabel, de Recife. Instituições da capital pernambucana prestaram várias
homenagens a Renato Viana e equipe. Nas suas colunas diárias, Valdemar de
Oliveira registrou com entusiasmo o alto nível estético dos espetáculos
e a repercussão dos mesmos na cidade. Em artigos e entrevistas, Samuel
Campello ressaltava o exemplo da companhia no sentido da disciplina e do
intenso trabalho, dos ensaios constantes que garantiam a qualidade das
apresentações. E sem dúvida a temporada foi extremamente benéfica na
preparação do terreno para o surgimento do Teatro do
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Estudante de
Pernambuco e do Teatro Amadores de Pernambuco, que de certa forma davam
continuidade ao processo artístico aberto pelo Grupo Gente Nossa.
A primeira
"missão dramática" deu-se de março a novembro de 1938,
realizando nas capitais de sete estados do Norte e Nordeste 250 apresentações.
Boa parte desse período, a companhia apresentou-se no Teatro Santa
Isabel, de Recife. Instituições da capital pernambucana prestaram várias
homenagens a Renato Viana e equipe. Nas suas colunas diárias, Valdemar de
Oliveira registrou com entusiasmo o alto nível estético dos espetáculos
e a repercussão dos mesmos na cidade. Em artigos e entrevistas, Samuel
Campello ressaltava o exemplo da companhia no sentido da disciplina e do
intenso trabalho, dos ensaios constantes que garantiam a qualidade das
apresentações. E sem dúvida a temporada foi extremamente benéfica na
preparação do terreno para o surgimento do Teatro do Estudante de
Pernambuco e do Teatro Amadores de Pernambuco, que de certa forma davam
continuidade ao processo artístico aberto pelo Grupo Gente Nossa.
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Mas não só no
Recife a temporada foi brilhante. O volumoso acervo de recortes do Arquivo
Renato Vianna testemunha o extraordinário sucesso de público por onde a
companhia passava; jornais abriam colunas de elogios rasgados;
governadores e prefeitos, assim como instituições culturais, ofereciam
jantares e muitas homenagens a Renato e sua trupe. Ao longo da excursão o
teatro esteve em festa pelo Norte/Nordeste, estimulando o aparecimento de
grupos onde antes nenhuma atividade dramática existia.
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No segundo
semestre de 1939 e primeiro do ano seguinte, deu-se a segunda "missão
dramática", desta vez com subvenção do Serviço Nacional de
Teatro. Após uma temporada no Rio de Janeiro, a companhia se deslocou
para o Rio Grande do Sul, apresentando-se em Porto Alegre e várias
cidades do interior. Seguiu para Santa Catarina, Paraná, São Paulo
(apresentações na Capital, em Campinas e em Santos), Espírito Santo,
Bahia, Pernambuco e repetiu o mesmo roteiro pelas capitais do
Norte/Nordeste.
A terceira
"missão dramática" deu-se em 1947, quando o Teatro Anchieta
percorreu com seu repertório as capitais do Norte/Nordeste, terminando a
excursão com festejada temporada em Belo Horizonte.
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