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Tema desta Edição

Renato Vianna
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A Última Encarnação do Fausto
Obras

 

O Teatro
Brasileiro
1918/38

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TEMA DESTA EDIÇÃO: Renato Vianna/Campanhas Artísticas
 
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As Muitas Estações de Um Gesto Pioneiro

   


TEATRO-ESCOLA


Durante dois anos, Renato Vianna lutou pela criação do Teatro-Escola. O projeto foi aprovado pelo Presidente Getúlio Vargas, que concedeu subvenção e o tornou "experiência oficial". A proposta era formar uma companhia-modelo à qual se vincularia um curso de teatro. Desse modo, haveria elenco composto por atores profissionais experientes e outros iniciantes, ao qual se juntariam alunos da Escola Dramática Municipal na condição de estagiários, sendo posteriormente incorporados à companhia.

A Prefeitura do Distrito Federal concedeu o Casino para a instalação do Teatro-Escola e o governo federal, além das subvenções, garantiu franquias ao transporte da companhia, incluindo cenários e material de cena, por todo o território nacional. Propunha-se que após cada temporada no Rio de Janeiro o Teatro-Escola viajasse de Norte a Sul, apresentando seus espetáculos e eventos didáticos paralelos.

O lançamento do projeto suscitou polêmicas no meio teatral e na imprensa em função das rígidas normas disciplinares do estatuto. Polêmicas maiores, contudo, ocorreriam após a estréia do Teatro-Escola, a 29 de outubro de 1934, ao impacto da obra apresentada: Sexo


Renato Vianna e Itália Fausta em "Sexo", 1934. Foto publicada em jornal não identificado. (Arquivo Renato Vianna)


A situação piorou no início da segunda temporada com o processo aberto contra o Teatro-Escola pelas principais figuras do elenco " Jayme Costa, Itália Fausta e Olga Navarro " que teriam sido lesadas pelo diretor na distribuição de supostos lucros da empresa. Auditorias abertas pelos advogados dos atores e pelo Ministério da Educação e Saúde atestaram a lisura do diretor e a ausência dos alegados lucros. Mas o processo foi demorado e enquanto isso, diariamente, boatos difamatórios ocupavam espaços nos jornais, constituindo uma perseguição como jamais aconteceu a outro homem de teatro no país.

Assim, liquidou-se mais essa iniciativa do Guerreiro da Quimera. Porém, suas conquistas cênicas, seus avanços no conceito do "novo teatro", haviam já impregnado alguns espíritos jovens que, por vários caminhos, logo mais se dedicariam ao teatro e o impulsionariam aos novos horizontes estéticos.

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TEATRO ANCHIETA


Em 1941, o Rotary Club gaúcho propôs ao governador do Estado a instituição de uma escola de teatro - a Escola Dramática do Rio Grande do Sul -- em Porto Alegre e que fossem confiadas a Renato Vianna sua criação e direção. 



Teatro Anchieta em missão dramática, no último ano da sua existência. Mossoró, 1947.


O sonho de um Teatro-Escola retornava, porém com substanciais alterações no projeto. Desta vez, Renato propunha fazer com que a companhia nascesse do curso, integrada por alunos e com alguns profissionais convidados. O curso, ministrado no Teatro São Pedro, tinha a duração de três anos, com aulas teóricas e práticas. Os alunos adiantados comporiam o elenco principal da companhia, os do segundo ano formariam elenco de apoio, enquanto os do primeiro ano apenas se preparariam.

Ano seguinte, com uma turma já preparada para o palco, Renato batalhou sede para que a Escola ficasse independente do Teatro São Pedro. Alugou um armazém na Avenida Brasil, no bairro operário de Navegantes, adaptou-o com salas de aulas, de ensaio e de espetáculo. Assim nasceu o Teatro Anchieta.

As temporadas do Teatro Anchieta foram memoráveis. Os jornais comentavam a enorme transformação do bairro nessas ocasiões. Para lá convergiam pessoas de todas as classes sociais e de todos os bairros da Capital gaúcha. Bondes e ônibus despejavam multidões nas cercanias, que já estavam tomadas por carros particulares. Todos queriam ver aqueles espetáculos maravilhosos. Em um dia da semana a apresentação era destinada aos operários, sendo os ingressos distribuídos gratuitamente nas fábricas. Após as temporadas em Porto Alegre, a companhia visitava cidades do interior.

No início de 1946 o Teatro Anchieta apresentou no Rio de Janeiro repertório que incluía obras de Dostoiévski (Crime e Castigo ), Florêncio Sánches, Ibsen e Renato Vianna, sendo bastante elogiado. Paschoal Carlos Magno classificou de "exemplar" a companhia. Porém, as alterações políticas determinadas pela renúncia de Getúlio Vargas (1945), afetaram duramente o teatro com o fim das subvenções. Assim mesmo, Renato conseguiu manter a Escola Dramática do Rio Grande do Sul e o Teatro Anchieta até 1948. O conjunto se desfez depois de uma longa excursão pelo país.

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MISSÕES DRAMÁTICAS

 

Com o fim do Teatro-Escola Renato não desistiu do sonho de levar o bom teatro em peregrinações pelo país, como era proposta da empresa. Para tanto, trabalhou cerca de ano e meio, conseguindo formar uma companhia de primeira linha, na qual ganhou destaque sua filha Maria Caetana, então com 14 anos e que logo mais seria considerada uma das nossas principais atrizes. Sendo o repertório composto de peças anteriormente montadas, dispunha de um acervo cenográfico assinado pelos melhores daquele tempo: Hipólito Colomb, Oswaldo Teixeira, Ângelo Lazary, Oswaldo Sampaio, Gilberto Trompowsky. Pela importância da sonoplastia e da música em suas encenações, adquiriu o mais avançado equipamento de "sincronização e sonorização" existente. Pensou em todos os detalhes de modo a poder realizar nas diferentes praças espetáculos de alto nível técnico e artístico. O material de cena e equipamentos reunidos para a excursão somavam mais de 18 toneladas e estavam estimados em 300 contos.



Dona Elita, Maria Caetana, homem não identificado e Renato Vianna a bordo o Itapé, rumo a Belém, em missão dramática, 1940.


A primeira "missão dramática" deu-se de março a novembro de 1938, realizando nas capitais de sete estados do Norte e Nordeste 250 apresentações. Boa parte desse período, a companhia apresentou-se no Teatro Santa Isabel, de Recife. Instituições da capital pernambucana prestaram várias homenagens a Renato Viana e equipe. Nas suas colunas diárias, Valdemar de Oliveira registrou com entusiasmo o alto nível estético dos espetáculos e a repercussão dos mesmos na cidade. Em artigos e entrevistas, Samuel Campello ressaltava o exemplo da companhia no sentido da disciplina e do intenso trabalho, dos ensaios constantes que garantiam a qualidade das apresentações. E sem dúvida a temporada foi extremamente benéfica na preparação do terreno para o surgimento do Teatro do 

Estudante de Pernambuco e do Teatro Amadores de Pernambuco, que de certa forma davam continuidade ao processo artístico aberto pelo Grupo Gente Nossa.

A primeira "missão dramática" deu-se de março a novembro de 1938, realizando nas capitais de sete estados do Norte e Nordeste 250 apresentações. Boa parte desse período, a companhia apresentou-se no Teatro Santa Isabel, de Recife. Instituições da capital pernambucana prestaram várias homenagens a Renato Viana e equipe. Nas suas colunas diárias, Valdemar de Oliveira registrou com entusiasmo o alto nível estético dos espetáculos e a repercussão dos mesmos na cidade. Em artigos e entrevistas, Samuel Campello ressaltava o exemplo da companhia no sentido da disciplina e do intenso trabalho, dos ensaios constantes que garantiam a qualidade das apresentações. E sem dúvida a temporada foi extremamente benéfica na preparação do terreno para o surgimento do Teatro do Estudante de Pernambuco e do Teatro Amadores de Pernambuco, que de certa forma davam continuidade ao processo artístico aberto pelo Grupo Gente Nossa.


Mas não só no Recife a temporada foi brilhante. O volumoso acervo de recortes do Arquivo Renato Vianna testemunha o extraordinário sucesso de público por onde a companhia passava; jornais abriam colunas de elogios rasgados; governadores e prefeitos, assim como instituições culturais, ofereciam jantares e muitas homenagens a Renato e sua trupe. Ao longo da excursão o teatro esteve em festa pelo Norte/Nordeste, estimulando o aparecimento de grupos onde antes nenhuma atividade dramática existia.


No segundo semestre de 1939 e primeiro do ano seguinte, deu-se a segunda "missão dramática", desta vez com subvenção do Serviço Nacional de Teatro. Após uma temporada no Rio de Janeiro, a companhia se deslocou para o Rio Grande do Sul, apresentando-se em Porto Alegre e várias cidades do interior. Seguiu para Santa Catarina, Paraná, São Paulo (apresentações na Capital, em Campinas e em Santos), Espírito Santo, Bahia, Pernambuco e repetiu o mesmo roteiro pelas capitais do Norte/Nordeste. 

A terceira "missão dramática" deu-se em 1947, quando o Teatro Anchieta percorreu com seu repertório as capitais do Norte/Nordeste, terminando a excursão com festejada temporada em Belo Horizonte.

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