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TEMA DESTA
EDIÇÃO:
Renato Vianna/Biografia
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Um
Guerreiro e Sua Quimera
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Insistindo na idéia
de prosseguir o plano do Teatro-Escola e levar o grande teatro aos mais
distantes sítios, Renato começou as articulações criando nova
companhia, que estreou e fez péssima temporada em Niterói. Nessa
temporada estreou no palco a filha de Renato e dona Elita, Maria Antonieta
que, em festa oferecida a Renato por acadêmicos fluminenses, anunciou que
adotaria o nome artístico de Maria Caetana, em homenagem ao grande João
Caetano, filho daquela cidade.
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Publicidade
no Recife.
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Cerca de dois
anos Renato lutou por condições para levar seu teatro a estados do Norte
e Nordeste, em "missões dramáticas". E finalmente conseguiu
formar uma companhia de alto nível, adquirir equipamentos de luz e de
som, restaurar cenários do acervo, assinados pelos maiores cenógrafos da
época, e percorrer com a companhia, de março
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a novembro de 1938, vários
estados, realizando temporadas históricas em Recife, João Pessoa, Belém,
Manaus, Fortaleza, encerrando a excursão onde começou, Recife.
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Depois de nova
temporada no Rio de Janeiro, com o apoio do SNT Renato prosseguiu as
"missões dramáticas" levando seu teatro ao Rio Grande do Sul e
Paraná, com apresentações nas capitais e cidades mais importantes.
Apresentou-se depois em São Paulo, Campinas e Santos, prosseguindo viagem
ao Espírito Santo, à Bahia e refazendo o mesmo roteiro pelas capitais do
Norte/Nordeste.
Formou companhia
em 1941 realizando nova excursão pelo Sul e terminou fundando em Porto
Alegre a Escola Dramática do Rio Grande do Sul. Instalada inicialmente no
Teatro São Pedro, mais tarde transferiu-se para sede própria, na Av.
Brasil, bairro dos Navegantes. Em um velho galpão, adaptou-se a sala de
espetáculos e assim nasceu o Teatro Anchieta.
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Reaparecia, na
verdade, o sonho do Teatro-Escola. Os alunos, além das aulas teóricas e
práticas de interpretação, se exercitavam nas diferentes áreas, como
cenografia, figurinos e iluminação. Aos poucos, criava-se através dos
cursos o elenco do Teatro Anchieta. O grande sucesso do grupo em Porto
Alegre repetia-se em excursões por cidades do interior. Finalmente, em
1945, o Teatro Anchieta apresentou-se no Rio de Janeiro com repertório
que incluía Crime e Castigo, de Dostoievski, peças de Florêncio
Sanches e de Renato Vianna.
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Teatro
Achieta, Crime e Castigo (1945).
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Os
tempos eram difíceis. Com a renúncia (forçada) de Getúlio Vargas,
aconteceram grandes alterações na política cultural. O apoio oficial
destinado ao Teatro Anchieta foi cortado e o pagamento de parcelas já
vencidas adiado. Assim mesmo, o Teatro Anchieta continuou seu programa e
nos anos de 1947 e 48, realizou a terceira "missão dramática",
percorrendo estados do Norte/Nordeste, além de uma excelente temporada em
Belo Horizonte. Mas, chegava a um impasse e sua continuidade era problemática.
A alternativa, acreditava Renato Vianna, seria transferí-lo para o Rio de
Janeiro.
Estava fazendo
planos nesse sentido quando, em 1948, foi convidado pelo prefeito do
Distrito Federal a assumir a direção da velha Escola Dramática
Municipal, fundada por Coelho Neto em 1911. A escola praticamente não
mais existia. Funcionava em sala emprestada, na praça Mauá, sem programa
didático e sem quaisquer condições indispensáveis a um curso de arte
dramática.
Renato conseguiu
instalar a Escola no solar do Rio Branco, junto à Praça da República,
onde se encontra até hoje, mudou-lhe o nome para Escola Dramática
Martins Pena, deu-lhe um programa didático e formou um quadro docente de
primeira linha, incluindo nomes como José Oiticica, Tomás Santa Rosa, Luísa
Barreto Leite
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A tentativa de
anexar o Teatro Anchieta à Escola Martins Pena não se concretizou. Mas,
a idéia de uma Escola com companhia anexada permaneceu. E com alunos da
Martins Pena (entre esses alunos estava a atriz Teresa Rachel) montou dois
espetáculos ambiciosos: Édipo Rei, de André Gide, e Um
Inimigo do Povo, de Ibsen.
Tinha ainda
grandes planos para transformar a Martins Pena numa escola modelo, quando
foi colhido pela Morte, a 23 de maio de 1953. Lembra o discípulo e amigo
Paschoal Carlos Magno:
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Renato
Viana (1952)
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Na madrugada
da sua morte encontrava-me no seu apartamento no Largo dos Leões. Ajudei
a tirar as medidas do seu caixão e também a vesti-lo para sua última
viagem. Foi preciso, depois, levá-lo para a capela da Real Grandeza. Não
era possível conduzir o caixão, do sétimo andar da sua última morada
à rua. Colocaram-lhe o caixão, de pé, de encontro à parede do elevador
de serviço. Descemos com ele. Saía da sua casa, morto, mas de pé, como ficará para sempre, dentro da história do teatro no Brasil.
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