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Tema desta Edição

Renato Vianna
Biografia
Campanhas Artísticas
A Última Encarnação do Fausto
Obras

 

O Teatro
Brasileiro
1918/38

Grandes Figuras
Grupos
Revisteiros
Presença Portuguesa

 

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TEMA DESTA EDIÇÃO: Renato Vianna/Biografia
 
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Um Guerreiro e Sua Quimera

 


Insistindo na idéia de prosseguir o plano do Teatro-Escola e levar o grande teatro aos mais distantes sítios, Renato começou as articulações criando nova companhia, que estreou e fez péssima temporada em Niterói. Nessa temporada estreou no palco a filha de Renato e dona Elita, Maria Antonieta que, em festa oferecida a Renato por acadêmicos fluminenses, anunciou que adotaria o nome artístico de Maria Caetana, em homenagem ao grande João Caetano, filho daquela cidade.


Publicidade no Recife.

Cerca de dois anos Renato lutou por condições para levar seu teatro a estados do Norte e Nordeste, em "missões dramáticas". E finalmente conseguiu formar uma companhia de alto nível, adquirir equipamentos de luz e de som, restaurar cenários do acervo, assinados pelos maiores cenógrafos da época, e percorrer com a companhia, de março

a novembro de 1938, vários estados, realizando temporadas históricas em Recife, João Pessoa, Belém, Manaus, Fortaleza, encerrando a excursão onde começou, Recife.


Depois de nova temporada no Rio de Janeiro, com o apoio do SNT Renato prosseguiu as "missões dramáticas" levando seu teatro ao Rio Grande do Sul e Paraná, com apresentações nas capitais e cidades mais importantes. Apresentou-se depois em São Paulo, Campinas e Santos, prosseguindo viagem ao Espírito Santo, à Bahia e refazendo o mesmo roteiro pelas capitais do Norte/Nordeste.

Formou companhia em 1941 realizando nova excursão pelo Sul e terminou fundando em Porto Alegre a Escola Dramática do Rio Grande do Sul. Instalada inicialmente no Teatro São Pedro, mais tarde transferiu-se para sede própria, na Av. Brasil, bairro dos Navegantes. Em um velho galpão, adaptou-se a sala de espetáculos e assim nasceu o Teatro Anchieta.


Reaparecia, na verdade, o sonho do Teatro-Escola. Os alunos, além das aulas teóricas e práticas de interpretação, se exercitavam nas diferentes áreas, como cenografia, figurinos e iluminação. Aos poucos, criava-se através dos cursos o elenco do Teatro Anchieta. O grande sucesso do grupo em Porto Alegre repetia-se em excursões por cidades do interior. Finalmente, em 1945, o Teatro Anchieta apresentou-se no Rio de Janeiro com repertório que incluía Crime e Castigo, de Dostoievski, peças de Florêncio Sanches e de Renato Vianna.


Teatro Achieta, Crime e Castigo (1945).


Os tempos eram difíceis. Com a renúncia (forçada) de Getúlio Vargas, aconteceram grandes alterações na política cultural. O apoio oficial destinado ao Teatro Anchieta foi cortado e o pagamento de parcelas já vencidas adiado. Assim mesmo, o Teatro Anchieta continuou seu programa e nos anos de 1947 e 48, realizou a terceira "missão dramática", percorrendo estados do Norte/Nordeste, além de uma excelente temporada em Belo Horizonte. Mas, chegava a um impasse e sua continuidade era problemática. A alternativa, acreditava Renato Vianna, seria transferí-lo para o Rio de Janeiro.

Estava fazendo planos nesse sentido quando, em 1948, foi convidado pelo prefeito do Distrito Federal a assumir a direção da velha Escola Dramática Municipal, fundada por Coelho Neto em 1911. A escola praticamente não mais existia. Funcionava em sala emprestada, na praça Mauá, sem programa didático e sem quaisquer condições indispensáveis a um curso de arte dramática.

Renato conseguiu instalar a Escola no solar do Rio Branco, junto à Praça da República, onde se encontra até hoje, mudou-lhe o nome para Escola Dramática Martins Pena, deu-lhe um programa didático e formou um quadro docente de primeira linha, incluindo nomes como José Oiticica, Tomás Santa Rosa, Luísa Barreto Leite


A tentativa de anexar o Teatro Anchieta à Escola Martins Pena não se concretizou. Mas, a idéia de uma Escola com companhia anexada permaneceu. E com alunos da Martins Pena (entre esses alunos estava a atriz Teresa Rachel) montou dois espetáculos ambiciosos: Édipo Rei, de André Gide, e Um Inimigo do Povo, de Ibsen.

Tinha ainda grandes planos para transformar a Martins Pena numa escola modelo, quando foi colhido pela Morte, a 23 de maio de 1953. Lembra o discípulo e amigo Paschoal Carlos Magno:


Renato Viana (1952)


Na madrugada da sua morte encontrava-me no seu apartamento no Largo dos Leões. Ajudei a tirar as medidas do seu caixão e também a vesti-lo para sua última viagem. Foi preciso, depois, levá-lo para a capela da Real Grandeza. Não era possível conduzir o caixão, do sétimo andar da sua última morada à rua. Colocaram-lhe o caixão, de pé, de encontro à parede do elevador de serviço. Descemos com ele. Saía da sua casa, morto, mas de pé, como ficará para sempre, dentro da história do teatro no Brasil.
 



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