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Tema desta Edição

Renato Vianna
Biografia
Campanhas Artísticas
A Última Encarnação do Fausto
Obras

 

O Teatro
Brasileiro
1918/38

Grandes Figuras
Grupos
Revisteiros
Presença Portuguesa

 

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TEMA DESTA EDIÇÃO: Renato Vianna/Biografia
 

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Um Guerreiro e Sua Quimera

 


Filho de José Gonçalves Vieira Vianna e de dona Adelina de Mendonça Fleury, Renato Vianna nasceu no Rio de Janeiro, a 31 de março de 1894. Aos nove anos de idade passa a viver em São Luis do Maranhão, para onde a família mudara.

Em 1908, seu pai suicidou-se numa sala do escritório em que trabalhava. Abandonava a vida por falta de perspectiva econômica, estando a família em situação de muita pobreza, confessou em cartas deixadas ao patrão e à esposa.

Essa tragédia o marcou profundamente e, de certo modo, filtra por ela o seu pessimismo melodramático. Passam por essa experiência amarga, também, as posturas críticas contra a oligarquia encastelada no poder e a classe dominante. Posturas que o tornariam jornalista combativo, advogado dos pequenos agricultores e permeariam toda sua obra dramática.


Teófilo Cordeiro e família (c.1942). O grupo de pessoas sentadas: Teófilo, dona Elita, Maria Caetana (à frente), Renato Vianna e a mãe de dona Elita.


Arrimo da família aos 14 anos, Renato trabalhou com advogados (depois, como rábula, foi autorizado pela OAB a exercer a advocacia) e tornou-se jornalista. Como jornalista viveu em Manaus, onde aos 16 anos teve um texto, A Prova, representado pelos atores portugueses Adelina Nobre e Alves da Silva. Mais tarde, transferindo-se para Fortaleza, continuando no jornalismo, abriu a primeira banca de advocacia. 

Em 1915 casou com dona Elita, filha do vereador Teófilo Cordeiro (que posteriormente se filiaria ao Partido Comunista) e irmã do futuro general Cordeiro, ligado a Juarez Távora. Ano seguinte nasceu o primeiro filho do casal, Rui. 


Até pela aliança com filha de família bastante politizada, todas as indicações eram no sentido de que Renato Vianna entraria para a carreira política. Em 1917 achava-se em Minas Gerais, na condição de secretário pessoal de Antônio Carlos Ribeiro de Andrade, escrevendo os discursos do famoso político que, nesse mesmo ano, assumia o Ministério da Fazenda.


Nomeado por Antônio Carlos a um cargo na Casa da Moeda, em 1918 Renato transfere-se com a família para o Rio de Janeiro. Logo seu nome começa a circular nos meios artísticos e a Companhia Dramática Nacional, de Gomes Cardim e Itália Fausta, monta sua peça Na Voragem. Nos dois anos seguintes (19/20) a mesma companhia encenou seus textos Salomé e Os Fantasmas. Heitor Villa-Lobos, em 1919, transformou Salomé na ópera Zoé. E, em 1920, Leopoldo Fróes monta sua comédia Luciano, o Encantador.

O prestígio de Renato Vianna, como dramaturgo, estava já consolidado: tinha peças encenadas pela maior atriz e pelo maior ator brasileiros da época e um texto transformado em libreto de ópera por polêmico e conceituadíssimo compositor. Muitos, no entanto, se incomodavam com as pregações de Renato Vianna sobre o "novo teatro". Eram idéias que ele desenvolvia a partir de informações sobre a renovação cênica na Rússia (Komisarjévski, Stanislavski, Meyerhold) e na França (Antoine, Lugné Poe, Jacques Coupeau).


Renato e Elita, Rio, 1918.


Absolutamente envolvido pela atmosfera pré-modernista, que tomou força desde o fim da guerra, Renato propunha a renovação dos velhos códigos teatrais e a instauração de novos processos e conceitos cênicos como meios para se chegar a uma "expressão brasileira" em cena.

Em 1921, tendo sido exonerado do cargo na Casa da Moeda, voltou com a família para Fortaleza. Lá escreveu A Última Encarnação do Fausto , trabalhou em jornais, fêz campanha política com seu sogro junto da classe operária e elaborou o plano para a criação da Cia. Batalha da Quimera. Dividindo seu tempo entre Fortaleza e Recife, conheceu na capital pernambucana o jovem crítico Samuel Campello que, empolgado com as idéias de Renato Vianna viria a criar, anos depois, o Grupo Gente Nossa, dando início a um movimento teatral histórico no Nordeste brasileiro. Também em Recife, no Teatro do Parque, fez leitura pública de A Última Encarnação do Fausto.

Pela metade de 1922, com a família aumentada, pois nascera Maria Antonieta, voltou ao Rio de Janeiro e começou logo as articulações para a criação da Batalha da Quimera e encenação de A Última Encarnação do Fausto. Seus parceiros nessa empresa eram o compositor Villa-Lobos e o poeta Ronald de Carvalho, ambos participantes da Semana de Arte Moderna.


Viriato Correa a Renato Viana (c.1921)

O fracasso do espetáculo, que só ficou três dias em cartaz, causou a primeira de uma série de falências que o teatro lhe propiciaria. Em 1924, no entanto, estava ele em São Paulo tentando aprimorar o sistema que pretendeu estabelecer na Quimera com nova empresa, a Colméia. Em 1928, junto de Roberto Rodrigues (irmão do futuro dramaturgo Nelson Rodrigues) e de Paschoal Carlos Magno, fundou o Teatro da Caverna Mágica, que dividiu o Cassino do Passeio Público com o Teatro de Brinquedo, de Álvaro Moreyra e sua esposa, Eugênia.


O fracasso da Caverna Mágica fez com que Renato voltasse com a família para Fortaleza e para a advocacia e, depois, o jornalismo. Pretendia no trabalho jornalístico participar dos movimentos em curso, que desembocariam na Revolução de 30. E sua permanência, como diretor ou editor em vários jornais de Fortaleza e de Manaus, foi pontilhada de artigos vigorosos e de grandes desentendimentos com os proprietários dos jornais.



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