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TEMA DESTA EDIÇÃO:
Renato Vianna/Biografia
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Um
Guerreiro e Sua Quimera
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Filho de José
Gonçalves Vieira Vianna e de dona Adelina de Mendonça Fleury, Renato
Vianna nasceu no Rio de Janeiro, a 31 de março de 1894. Aos nove anos de
idade passa a viver em São Luis do Maranhão, para onde a família
mudara.
Em 1908, seu pai
suicidou-se numa sala do escritório em que trabalhava. Abandonava a vida
por falta de perspectiva econômica, estando a família em situação de
muita pobreza, confessou em cartas deixadas ao patrão e à esposa.
Essa tragédia o
marcou profundamente e, de certo modo, filtra por ela o seu pessimismo
melodramático. Passam por essa experiência amarga, também, as posturas
críticas contra a oligarquia encastelada no poder e a classe dominante.
Posturas que o tornariam jornalista combativo, advogado dos pequenos
agricultores e permeariam toda sua obra dramática.
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Teófilo
Cordeiro e família (c.1942). O grupo de pessoas sentadas: Teófilo,
dona Elita, Maria Caetana (à frente), Renato Vianna e a mãe de dona
Elita.
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Arrimo da família
aos 14 anos, Renato trabalhou com advogados (depois, como rábula, foi
autorizado pela OAB a exercer a advocacia) e tornou-se jornalista. Como
jornalista viveu em Manaus, onde aos 16 anos teve um texto, A Prova,
representado pelos atores portugueses Adelina Nobre e Alves da Silva. Mais
tarde, transferindo-se para Fortaleza, continuando no jornalismo, abriu a
primeira banca de advocacia.
Em 1915 casou
com dona Elita, filha do vereador Teófilo Cordeiro (que posteriormente se
filiaria ao Partido Comunista) e irmã do futuro general Cordeiro, ligado
a Juarez Távora. Ano seguinte nasceu o primeiro filho do casal,
Rui.
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Até pela aliança
com filha de família bastante politizada, todas as indicações eram no
sentido de que Renato Vianna entraria para a carreira política. Em 1917
achava-se em Minas Gerais, na condição de secretário pessoal de Antônio
Carlos Ribeiro de Andrade, escrevendo os discursos do famoso político
que, nesse mesmo ano, assumia o Ministério da Fazenda.
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Nomeado por Antônio
Carlos a um cargo na Casa da Moeda, em 1918 Renato transfere-se com a família
para o Rio de Janeiro. Logo seu nome começa a circular nos meios artísticos
e a Companhia Dramática Nacional, de Gomes Cardim e Itália Fausta, monta
sua peça Na Voragem. Nos dois anos seguintes (19/20) a mesma
companhia encenou seus textos Salomé e Os Fantasmas. Heitor
Villa-Lobos, em 1919, transformou Salomé na ópera Zoé. E,
em 1920, Leopoldo Fróes monta sua comédia Luciano,
o Encantador.
O
prestígio de Renato Vianna, como dramaturgo, estava já consolidado:
tinha peças encenadas pela maior atriz e pelo maior ator brasileiros da
época e um texto transformado em libreto de ópera por polêmico e
conceituadíssimo compositor. Muitos, no entanto, se incomodavam com as
pregações de Renato Vianna sobre o "novo teatro". Eram idéias
que ele desenvolvia a partir de informações sobre a renovação cênica
na Rússia (Komisarjévski, Stanislavski, Meyerhold) e na França
(Antoine, Lugné Poe, Jacques Coupeau).
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Renato
e Elita, Rio, 1918.
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Absolutamente
envolvido pela atmosfera pré-modernista, que tomou força desde o fim da
guerra, Renato propunha a renovação dos velhos códigos teatrais e a
instauração de novos processos e conceitos cênicos como meios para se
chegar a uma "expressão brasileira" em cena.
Em 1921, tendo
sido exonerado do cargo na Casa da Moeda, voltou com a família para
Fortaleza. Lá escreveu A Última Encarnação do Fausto ,
trabalhou em jornais, fêz campanha política com seu sogro junto da
classe operária e elaborou o plano para a criação da Cia. Batalha da
Quimera. Dividindo seu tempo entre Fortaleza e Recife, conheceu na capital
pernambucana o jovem crítico Samuel Campello que, empolgado com as idéias
de Renato Vianna viria a criar, anos depois, o Grupo Gente Nossa, dando início
a um movimento teatral histórico no Nordeste brasileiro. Também em
Recife, no Teatro do Parque, fez leitura pública de A Última Encarnação
do Fausto.
Pela metade de
1922, com a família aumentada, pois nascera Maria Antonieta, voltou ao
Rio de Janeiro e começou logo as articulações para a criação da
Batalha da Quimera e encenação de A Última Encarnação do Fausto.
Seus parceiros nessa empresa eram o compositor Villa-Lobos e o poeta
Ronald de Carvalho, ambos participantes da Semana de Arte Moderna.
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Viriato
Correa a Renato Viana (c.1921)
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O fracasso do
espetáculo, que só ficou três dias em cartaz, causou a primeira de uma
série de falências que o teatro lhe propiciaria. Em 1924, no entanto,
estava ele em São Paulo tentando aprimorar o sistema que pretendeu
estabelecer na Quimera com nova empresa, a Colméia. Em 1928, junto de
Roberto Rodrigues (irmão do futuro dramaturgo Nelson Rodrigues) e de
Paschoal Carlos Magno, fundou o Teatro da Caverna Mágica, que dividiu o
Cassino do Passeio Público com o Teatro de Brinquedo, de Álvaro Moreyra
e sua esposa, Eugênia.
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O fracasso da
Caverna Mágica fez com que Renato voltasse com a família para Fortaleza
e para a advocacia e, depois, o jornalismo. Pretendia no trabalho jornalístico
participar dos movimentos em curso, que desembocariam na Revolução de
30. E sua permanência, como diretor ou editor em vários jornais de
Fortaleza e de Manaus, foi pontilhada de artigos vigorosos e de grandes
desentendimentos com os proprietários dos jornais.
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