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Confira os textos enviados:


Data: 14/01/2003

Uma desgraça se abate sobre nós do Rio de Janeiro!

Como vai, Milaré?

Estou enviando esse e-mail na esperança de que você, como figura de relevância indiscutível dentro das artes cênicas, venha solidarizar-se conosco, cariocas, que estamos passando por um momento crítico – mais um – para nossa sobrevivência artística. O nosso prefeito, César Maia, numa atitude descaradamente política, decretou nestes últimos dias (de-cre-tou) o fim do teatro, em favor da "visibilidade" (ou melhor, da visibilidade política dele). Segundo ele, chega de teatro experimental, ou teatro de vanguarda (ou o que ele, ignorantemente, chamou de off-Broadway). Elegeu, então, um padrão "Broadway" como meta para as produções teatrais que ocuparão os teatros da rede municipal, a partir de então a cargo de um gestor, o Sr. Miguel Falabella. (Pasme! Mas é isto mesmo: o prefeito credita exclusivamente ao comércio de entretenimento a categoria de arte, numa postura de total e indiscutível indiferença à pluralidade vocacional de uma população – o que deve ser o fundamento de qualquer política cultural relevante.)

O que realmente está acontecendo, portanto, é uma tentativa (repito: só uma tentativa) de retirada de legitimidade do teatro como entidade autônoma da televisão - cujo poder nesta cidade, como todos sabemos, é avassalador e que, a duras penas, temos tentado heroicamente enfrentar. Ou, de outro modo, ele pretende repetir no teatro os moldes de banalização impostos pela famigerada Rede Globo, alegando que os outros padrões, árdua e lentamente construídos, são elitizantes.

Contando que novos e arrojados sopros cheguem até nós - sempre – envio meus mais sinceros cumprimentos.

Um grande abraço,

Jefferson Miranda



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